{"id":2066,"date":"2007-06-06T00:00:00","date_gmt":"2007-06-06T00:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/luchadeclases.org.ve\/wp_temp\/?p=2066"},"modified":"2007-06-06T00:00:00","modified_gmt":"2007-06-06T00:00:00","slug":"carta-ao-movimento-dos-trabalhadores-em-todo-o-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/luchadeclases.com\/?p=2066","title":{"rendered":"Carta ao movimento dos trabalhadores em todo o mundo"},"content":{"rendered":"<p>Dia 31 de maio, \u00e0s 07:00hs da manh\u00e3, 150 policiais dais armados a\u00e9 os dentes invadiram a Cipla, f\u00e1brica controlada pelos trabalhadores e &quot;empossaram&quot; um interventor nomeado por um juiz federal com base em um pedido feito pelo INSS (Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social). A dire\u00e7\u00e3o eleita pelos trabalhadores e outros trabalhadores escolhidos a dedo foram expulsos ou impedidos de entrar. O terror armado \u00e9 imposto na f\u00e1brica. Uma das primeiras provid\u00eancias do interventor foi cobrir com uma lona negra a enorme placa na entrada da f\u00e1brica que dizia: CIPLA, empresa controlada pelos trabalhadores&quot;. <\/p>\n<p>Uma extraordin\u00e1ria campanha nacional e internacional exigindo o fim da interven\u00e7\u00e3o na Cipla se desenvolveu desde poucas horas depois da opera\u00e7\u00e3o de guerra realizada pela pol\u00edcia federal. Mensagens come\u00e7aram a ser enviadas ao governo Lula e seus ministros, da Justi\u00e7a, Tarso Genro, respons\u00e1vel pela Pol\u00edcia Federal, e Luis Marinho, ministro da Previd\u00eancia, de cujo minist\u00e9rio partiu o pedido ao juiz para que interviesse na Cipla. Assim como ao ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi. A rea\u00e7\u00e3o imediata e t\u00e3o forte nos deu um grande alento e for\u00e7as para organizar a resist\u00eancia contra este absurdo. <\/p>\n<p>Horas depois da invas\u00e3o, dia 31\/05\/07, em contato com o Ministro Carlos Lupi, do Trabalho, ele nos comunicava sua posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria \u00e0 interven\u00e7\u00e3o e que seu minist\u00e9rio trabalharia para que a pol\u00edcia fosse retirada e o INSS retirasse o pedido de interven\u00e7\u00e3o. Hoje, 05\/06\/07, ainda n\u00e3o houve nenhuma atitude concreta do governo Lula para que isto ocorresse e a interven\u00e7\u00e3o continua, agora com dezenas de homens armados contratados controlando tudo dentro da f\u00e1brica. <\/p>\n<p>Um clima de terror foi estabelecido. E como nos tempos da ditadura militar uma &quot;lista negra&quot; foi feita e uma persegui\u00e7\u00e3o claramente pol\u00edtica foi desencadeada contra os principais ativistas. Tudo isso feito com a presen\u00e7a e apoio ativo do presidente\/gangster do sindicato dos pl\u00e1sticos de Joinville, que se desfiliou da CUT e \u00e9 conhecido como agente patronal e inimigo da ocupa\u00e7\u00e3o de f\u00e1bricas h\u00e1 anos. Este falso sindicalista ca\u00e7ou ativistas dentro da f\u00e1brica junto com a pol\u00edcia e ajudou a fazer a &quot;lista negra&quot;. <\/p>\n<p>Agora, uma campanha infame de cal\u00fanias contra os membros da Comiss\u00e3o de F\u00e1brica \u00e9 desenvolvida pelo Interventor e seus comandados com objetivo de desmoralizar e impedir a resist\u00eancia. O interventor pediu ao juiz a incrimina\u00e7\u00e3o de mais de 40 trabalhadores por &quot;forma\u00e7\u00e3o de quadrilha&quot;, &quot;impedimento de cumprimento de ordem judicial&quot;, perturba\u00e7\u00e3o da ordem e da paz social&quot;, entre outras barbaridades. E o juiz atendeu na hora na esteira da pol\u00edtica hoje imperante no Brasil de criminalizar os movimentos sociais. <\/p>\n<p>Mas, menos de 24 horas depois da invas\u00e3o, uma plen\u00e1ria com mais de 100 presentes constituiu um Comit\u00ea pelo Fim da Interven\u00e7\u00e3o na Cipla constitu\u00eddo pela CUT (Central \u00danica dos Trabalhadores), MST, (Movimento Sem Terra), CDH (Centro de Direitos Humanos), deputados, vereadores, partidos, e dezenas de associa\u00e7\u00f5es e outras organiza\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e populares. O MST, nosso aliado de longa data, nos convidou para falar no seu Congresso Nacional que reunir\u00e1 mais de 16 mil delegados, de 12 a 15 de maio, em Bras\u00edlia. A CUT est\u00e1 publicando nossos comunicados em sua p\u00e1gina WEB. A Confedera\u00e7\u00e3o Nacional dos Qu\u00edmicos da CUT &#8211; CNQ &#8211; que re\u00fane os setores pl\u00e1sticos, petroleiros, qu\u00edmicos, papel, borracha, etc., j\u00e1 nos convidou para falar na abertura de seu Congresso e nos hipotecou apoio. Deputados federais fazem pronunciamentos. F\u00e1bricas recuperadas por trabalhadores nos telefonam e organizam a campanha na Argentina, na Venezuela, na Bol\u00edvia, no Uruguai, no Paraguai e outros pa\u00edses. <\/p>\n<p>A campanha de apoio se estendeu pelo mundo com press\u00e3o sobre as embaixadas em in\u00fameros pa\u00edses (isto \u00e9 muito importante) e com milhares de mensagens aos ministros do governo Lula e ao juiz federal respons\u00e1vel pela interven\u00e7\u00e3o policial\/militar na Cipla. <\/p>\n<p>A solidariedade que temos recebido da popula\u00e7\u00e3o de Joinville tamb\u00e9m \u00e9 impressionante e reconfortante. Neste momento estamos preparando um Ato Nacional em frente \u00e0 Cipla no dia 13\/06\/07 exigindo o Fim da Interven\u00e7\u00e3o. E Atos se preparam em diversos pa\u00edses em frente \u00e0s embaixadas do Brasil no dia 12\/06\/07. <\/p>\n<p>Contra esta campanha imensa, o juiz Oziel tem emitido uma resposta autom\u00e1tica no seu e-mail tentando justificar seus atos injustific\u00e1veis. <\/p>\n<p>O objetivo desta interven\u00e7\u00e3o judicial\/policial\/militar \u00e9 fechar a Cipla e liquidar com o movimento nacional das f\u00e1bricas ocupadas que \u00e9 t\u00e3o ligado a todo o movimento da classe trabalhadora. Nossa reivindica\u00e7\u00e3o central sempre foi &quot;Estatiza\u00e7\u00e3o das F\u00e1bricas Ocupadas&quot; (fun\u00e7\u00e3o p\u00fablica e social das f\u00e1bricas) com controle democr\u00e1tico dos trabalhadores. Mas, para os patr\u00f5es e seus lacaios \u00e9 insuport\u00e1vel a demonstra\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica de que os capitalistas s\u00e3o desnecess\u00e1rios e que os trabalhadores podem gerir e controlar as f\u00e1bricas sem estes parasitas. Se podem fazer isto nas f\u00e1bricas porque n\u00e3o em toda a sociedade?! <\/p>\n<p>Para acabar com isso intervieram. Pois como diz o juiz Oziel em sua decis\u00e3o: &quot;Quinto, e talvez o mais importante reflexo negativo do custo social da atitude da executada(Cipla): a acolher-se o argumento de que tudo pode ser feito para a manuten\u00e7\u00e3o de mil postos de trabalho, estar-se-\u00e1 legitimando o desrespeito odioso das leis e jogando por terra o Estado Democr\u00e1tico de Direito. Imagine se a moda pega?&quot;. <\/p>\n<p>De nosso ponto de vista, odioso \u00e9 desrespeitar os trabalhadores e trat\u00e1-los como escravos do capital. Odioso \u00e9 ver homens e mulheres humilhados pela for\u00e7a dos interesses dos poderosos da classe dominante. Odioso \u00e9 ver gente trabalhadora desesperada por n\u00e3o ter como alimentar sua fam\u00edlia enquanto os ricos ficam mais ricos. Odioso \u00e9 ver juizes e outros agindo a servi\u00e7o das classes propriet\u00e1rias e usando todas as for\u00e7as policial\/militar que podem dispor para invadir uma f\u00e1brica e aterrorizar trabalhadores e trabalhadoras. <\/p>\n<p>Por isso abaixo respondemos a esta odiosa resposta autom\u00e1tica do e-mail do juiz Oziel. Mas, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel esquecer que o pedido de interven\u00e7\u00e3o foi feito pelo INSS, minist\u00e9rio da Previd\u00eancia do governo Lula, que n\u00f3s e todos os trabalhadores da Cipla ajudamos a eleger duas vezes. Isso tamb\u00e9m \u00e9 odioso e indigno. <\/p>\n<p>Sobre as cal\u00fanias transformadas em decis\u00e3o judicial com objetivo de fechar a Cipla <\/p>\n<p>No dia 31 de maio de 2007, a Cipla, em Joinville\/SC, pioneira e maior empresa do movimento das f\u00e1bricas ocupadas, foi invadida por decis\u00e3o da Justi\u00e7a Federal, e 150 homens armados impuseram uma interven\u00e7\u00e3o judicial na empresa. <\/p>\n<p>Como se sabe, desde outubro de 2002, os trabalhadores da Cipla ocuparam e assumiram a gest\u00e3o da empresa, como a \u00fanica forma de garantir os postos de trabalho de maneira duradoura e para efetuar os pagamentos dos direitos devidos. <\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, o Movimento das F\u00e1bricas Ocupadas, especialmente a Cipla, vem sofrendo diariamente com as amea\u00e7as de fechamento da empresa, o que deixaria seus 800 trabalhadores desempregados. Tais amea\u00e7as, como penhoras de faturamento e constrangimentos em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 comiss\u00e3o de f\u00e1brica, ocorrem porque os antigos propriet\u00e1rios por mais de 15 anos n\u00e3o pagaram os tributos, direitos trabalhistas, encargos sociais, fornecedores, etc. Este passivo passa dos 600 milh\u00f5es e com juros e multas pode ir \u00e0 1 bilh\u00e3o de reais (500 milh\u00f5es de d\u00f3lares). <\/p>\n<p>E passivo \u00e9 praticamente todo com a Uni\u00e3o, com o Estado, n\u00e3o restando d\u00favidas de que se faz necess\u00e1ria a negocia\u00e7\u00e3o e a preval\u00eancia do bom senso, com o intuito da manter a f\u00e1brica aberta, garantindo os quase 1000 empregos da empresa. Inclusive para que um dia o Estado possa receber parte do que nunca cobrou dos ex-propriet\u00e1rios por quase duas d\u00e9cadas. <\/p>\n<p>Quando foi ocupada a Cipla estava quebrada e fechando. Isto \u00e9 de conhecimento p\u00fablico e das autoridades que assinaram o Acordo Trabalhista entregando o controle para os trabalhadores. Nos ofereceram as a\u00e7\u00f5es da empresa e n\u00f3s recusamos. Somos trabalhadores e irm\u00e3os de toda nossa classe e n\u00e3o propriet\u00e1rios de uma empresa quebrada. <\/p>\n<p>Sem capital, sem ajuda do governo, arrancamos de quase zero e chegamos hoje a um faturamento mensal na Cipla de mais de 3 milh\u00f5es mensais. Com isto conseguimos pagar os sal\u00e1rios, comprar mat\u00e9ria prima e resgatar mais de 90% dos sal\u00e1rios atrasados e n\u00e3o pagos pelos ex-patr\u00f5es. Al\u00e9m disso, fizemos um acordo com a justi\u00e7a trabalhista e j\u00e1 pagamos da d\u00edvida trabalhista com antigos trabalhadores, deixada pelos ex-patr\u00f5es, cerca de 2 milh\u00f5es de Reais. Recolhemos a parte &quot;empregado&quot; do INSS e do IR declarando a impossibilidade de recolher a parte &quot;empresa&quot; destes encargos. Isto, sempre tornamos p\u00fablico e comunicamos aos ministros da Previd\u00eancia, do Trabalho, da Fazenda, e inclusive ao Presidente da Rep\u00fablica, Luis In\u00e1cio Lula da Silva, em mais de uma ocasi\u00e3o, desde 2003. <\/p>\n<p>Desde a ocupa\u00e7\u00e3o tentamos um acordo com o INSS sobre a d\u00edvida deixada pelos ex-patr\u00f5es mas sempre encontramos uma recusa injustificada e inexplic\u00e1vel. E que agora \u00e9 entendida. Os atuais dirigentes do INSS n\u00e3o t\u00eam interesse em receber a d\u00edvida, mas sim em fechar a f\u00e1brica e liquidar o movimento pol\u00edtico das f\u00e1bricas ocupadas, pois todos sabem que a venda todo o patrim\u00f4nio da empresa n\u00e3o chega a 10% da d\u00edvida. <\/p>\n<p>\u00c9 por isso que uma Comiss\u00e3o criada pela Presid\u00eancia da Rep\u00fablica com t\u00e9cnicos do BNDES, BRDE e BADESC (bancos estatais de desenvolvimento) chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que: &quot;As empresas (Cipla e Interfibra, nota minha) s\u00e3o vi\u00e1veis e est\u00e3o muito bem administradas. O problema \u00e9 o passivo impag\u00e1vel. &#8230; A solu\u00e7\u00e3o recomendada para salvar estes mil empregos \u00e9 que seu passivo, quase todo com o governo federal e estadual, seja transformado em a\u00e7\u00f5es assumidas pelo BNDES, BRDE e BADESC, resolvendo assim este problema social e viabilizando estas empresas&quot;(Relat\u00f3rio dirigido ao Presidente da Rep\u00fablica pelo Superintendente do BRDE em nome da Comiss\u00e3o). <\/p>\n<p>Em 2004, conseguimos estabelecer o s\u00e1bado livre, reduzindo a jornada de trabalho para 40 horas semanais, e em dezembro de 2006, reduzimos a Jornada para 30 horas semanais. Tudo isso sem redu\u00e7\u00e3o salarial e sem diminuir o faturamento. <\/p>\n<p>Todas as principais decis\u00f5es s\u00e3o tomadas em assembl\u00e9ias e a f\u00e1brica \u00e9 gerida por uma Comiss\u00e3o, um Conselho, eleito pelos trabalhadores. As decis\u00f5es administrativas e financeiras s\u00e3o tomadas diariamente por um Comit\u00ea Administrativo e Financeiro (CAF), de cerca de 10 membros, designado por este Conselho. Os diversos turnos de trabalho elegem representantes que participam do CAF. Estas elei\u00e7\u00f5es s\u00e3o anuais, sempre no m\u00eas da ocupa\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica, e todos votam em nomes ou em listas, variando a forma segundo decis\u00e3o da Assembl\u00e9ia Soberana. <\/p>\n<p>E agora o Estado, por meio do INSS (Poder Executivo) pede uma interven\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s da Justi\u00e7a Federal. Sendo que estas institui\u00e7\u00f5es, durante tantos anos negligenciaram ao n\u00e3o atuar, fiscalizar e penalizar os respons\u00e1veis que por mais de 20 anos sonegaram tributos, se apropriaram indevidamente dos direitos previdenci\u00e1rios, mas que continuam impunes e milion\u00e1rios. <\/p>\n<p>A &quot;Justi\u00e7a&quot; at\u00e9 agora n\u00e3o busca os bens pessoais dos ex-patr\u00f5es. O Juiz Oziel sabe que poderia alcan\u00e7ar os bens pessoais dos s\u00f3cios, por meio da responsabilidade solid\u00e1ria. No entanto, percebe-se que tal prerrogativa legal n\u00e3o lhe interessa. <\/p>\n<p>O Juiz Oziel n\u00e3o faz &quot;Justi\u00e7a&quot;, mas o papel de patr\u00e3o, colocando o valor da propriedade privada acima de qualquer outro valor social, e alega estar respeitando o &quot;Estado Democr\u00e1tico de Direito&quot;. Reproduzo trecho de uma mensagem enviada, de S\u00e3o Paulo, aos ministros e ao presidente, por um conhecido intelectual: <\/p>\n<p>&quot;&#8230; A a\u00e7\u00e3o judicial e policial n\u00e3o \u00e9 apenas injusta e moralmente insustent\u00e1vel: \u00e9 tamb\u00e9m ilegal. A Constitui\u00e7\u00e3o brasileira protege a propriedade privada, mas enfatiza que essa propriedade s\u00f3 se legitima ao exercer uma fun\u00e7\u00e3o social. Nas m\u00e3os dos antigos propriet\u00e1rios, a Cipla e a Interfibra desempenhavam fun\u00e7\u00f5es anti-sociais, pois serviam de instrumentos para os crimes de seus dirigentes, que inviabilizavam a continuidade da gera\u00e7\u00e3o de riquezas e empregos. Sob controle dos trabalhadores, a Cipla e a Interfibra cumprem fun\u00e7\u00f5es sociais insubstitu\u00edveis, no contexto da cidade de Joinville&quot;. <\/p>\n<p>Depois o juiz diz que: <\/p>\n<p>&quot;&#8230; pode-se defender que a sociedade brasileira, no geral, e a joinvillense, no particular, n\u00e3o podem ser compelidas a suportar esse alto custo social, com base \u00fanica e exclusivamente no discurso da comiss\u00e3o de trabalhadores, desprovido de qualquer base emp\u00edrica, de que n\u00e3o h\u00e1 outra solu\u00e7\u00e3o para a preserva\u00e7\u00e3o desses empregos a n\u00e3o ser o calote geral no pagamento dos tributos&quot;. <\/p>\n<p>Calote?! O desejo dos trabalhadores \u00e9 de honrar todos os pagamentos devidos, desde que dentro da realidade da empresa e que se busque os bens pessoais dos antigos administradores, estes sim, os verdadeiros caloteiros. \u00c9 imposs\u00edvel cumprir todos os pagamentos de uma empresa quebrada. <\/p>\n<p>Custo social? O que o juiz entende por isso? <\/p>\n<p>&quot;Um, o pre\u00e7o por esses mil postos de trabalho \u00e9, em \u00faltima an\u00e1lise, a isen\u00e7\u00e3o total, ampla e irrestrita do pagamento das obriga\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias e encargos sociais da empresa, o que n\u00e3o pode ser tolerado por uma sociedade honesta, cujos membros pagam em dia seus impostos e contribui\u00e7\u00f5es&quot;. Mas, de que isen\u00e7\u00e3o fala este juiz? N\u00f3s recolhemos tudo que podemos e honramos os acordos feitos com a justi\u00e7a trabalhista, com a Fazenda e com o governo estadual. E o fechamento da empresa vai ajudar a recolher que impostos? <\/p>\n<p>E o juiz prossegue em del\u00edrio: <\/p>\n<p>&quot;Dois, ao deixar de recolher aos cofres p\u00fablicos federais os milh\u00f5es de reais que deve de impostos federais, a executada e as empresas do Grupo est\u00e3o impedindo que esses recursos retornem na forma de servi\u00e7os e benef\u00edcios essenciais \u00e0 comunidade joinvillense. De fato, \u00e9 com o recebimento das receitas tribut\u00e1rias que o Estado cumpre sua fun\u00e7\u00e3o de garantir os direitos mais b\u00e1sicos dos cidad\u00e3os. Como o dinheiro do Grupo Cipla n\u00e3o entra na conta da Uni\u00e3o, os cidad\u00e3os de Joinville, indiretamente, sofrem, na exata medida em que t\u00eam ainda mais reduzidas as chances de obter maiores investimentos na rede p\u00fablica de ensino ou de incrementar o n\u00famero de leitos oferecidos pela rede de sa\u00fade p\u00fablica, por exemplo. Basta ligar a televis\u00e3o e sintonizar as not\u00edcias do meio-dia para se ver o quanto a comunidade joinvillense est\u00e1 carente de investimentos na \u00e1rea da sa\u00fade. Faltam ambul\u00e2ncias, leitos nos hospitais, medicamentos, m\u00e9dicos..&quot; Ent\u00e3o, a Cipla e seus trabalhadores s\u00e3o respons\u00e1veis pelo caos na Sa\u00fade, Educa\u00e7\u00e3o, Moradia, que desgra\u00e7am esse pa\u00eds? <\/p>\n<p>Porque o juiz n\u00e3o fala dos bilh\u00f5es desviados do Or\u00e7amento Federal dos setores sociais para as m\u00e3os dos banqueiros, multinacionais e latifundi\u00e1rios?! <\/p>\n<p>Porque n\u00e3o fala de seus amigos patronais que devem milh\u00f5es \u00e0 previd\u00eancia e continuam soltos, ricos e bebendo u\u00edsque escoc\u00eas, vinho franc\u00eas e andando de jatinho particular?! <\/p>\n<p>Os pr\u00f3prios trabalhadores \u00e9 que sempre denunciaram a sonega\u00e7\u00e3o de tributos, pr\u00e1tica rotineira no meio empresarial brasileiro. Os trabalhadores sempre defenderam que os tributos devem ser pagos para serem investidos no atendimento das mais sentidas reivindica\u00e7\u00f5es populares. <\/p>\n<p>Os trabalhadores das f\u00e1bricas ocupadas n\u00e3o possuem isen\u00e7\u00f5es fiscais, como tantas outras empresas que possuem e ainda sonegam e\/ou recebem investimento p\u00fablico. Esta falsa hip\u00f3crita argumenta\u00e7\u00e3o do juiz n\u00e3o se sustenta. <\/p>\n<p>E o juiz prossegue: <\/p>\n<p>&quot;Quatro, \u00e9 incalcul\u00e1vel o custo social gerado pela concorr\u00eancia desleal. Como n\u00e3o paga nenhum tributo, a executada consegue colocar seus produtos no mercado com pre\u00e7o infinitamente menor, prejudicando as sociedades empres\u00e1rias que cumprem suas obriga\u00e7\u00f5es sociais. Estas, se n\u00e3o fosse a ilegal e desleal concorr\u00eancia da Cipla, certamente poderiam crescer ao ponto de conseguir absorver, com folga, os mil postos de trabalho de que tanto se vangloria a devedora&quot;. <\/p>\n<p>O juiz fala em &quot;concorr\u00eancia desleal&quot;. De que est\u00e1 falando, sem nenhum conhecimento de causa? <\/p>\n<p>Nossas tabelas de pre\u00e7os s\u00e3o p\u00fablicas e disputam e na maior parte do tempo perdem para as concorrentes. Estas sim, gigantes multinacionais como a TIGRE (R$ 1,3 bilh\u00f5es no ano passado), a AMANCO, su\u00ed\u00e7a e a maior do mundo no setor, entre e outras. E \u00e9 absurdo dize que sem a Cipla estas empresas cresceriam e contratariam os mil trabalhadores. \u00c9 rid\u00edculo. <\/p>\n<p>Por fim, o juiz escancara sua vis\u00e3o conservadora, reacion\u00e1ria e criminosa e demonstra a ideologia que o orienta: <\/p>\n<p>&quot;Quinto, e talvez o mais importante reflexo negativo do custo social da atitude da executada: a acolher-se o argumento de que tudo pode ser feito para a manuten\u00e7\u00e3o de mil postos de trabalho, estar-se-\u00e1 legitimando o desrespeito odioso das leis e jogando por terra o Estado Democr\u00e1tico de Direito. Imagine se a moda pega?&quot;. <\/p>\n<p>O Juiz sabe bem do que falando quando diz: &quot;Imagine se a moda pega&quot;. O juiz entende que o &quot;reflexo negativo da atitude da executada&quot; \u00e9 o exemplo pr\u00e1tico que a Cipla d\u00e1 para oda a classe trabalhadora. Este \u00e9 o grande problema. <\/p>\n<p>A Cipla \u00e9 um exemplo de luta e conquista dos trabalhadores, que assumiram o controle e a administra\u00e7\u00e3o de uma empresa completamente falida e melhoraram as condi\u00e7\u00f5es de trabalho e de vida. Tomaram a coragem e adquiriram a consci\u00eancia necess\u00e1ria para ocupar e retomar a produ\u00e7\u00e3o, invertendo o controle dos meios de produ\u00e7\u00e3o, &quot;chutando&quot; os patr\u00f5es que haviam prejudicado a sociedade e todos os trabalhadores da Cipla por mais de 20 anos. <\/p>\n<p>E o juiz que fala em &quot;Estado Democr\u00e1tico de Direito&quot; envia a tropa a pedido do INSS (o governo, portanto) e implanta o terror. <\/p>\n<p>Seu objetivo \u00e9 fechar a Cipla e isto fica claro na decis\u00e3o do juiz Oziel: <\/p>\n<p>&quot;Em outras palavras, talvez o momento seja prop\u00edcio para que a sociedade joinvillense fa\u00e7a a seguinte reflex\u00e3o: ser\u00e1 que a manuten\u00e7\u00e3o do Grupo Cipla, nessas condi\u00e7\u00f5es, gera, de fato, o bem \u00e0 sociedade? Ser\u00e1 que, nesses termos, sua exist\u00eancia n\u00e3o estaria mais para um mal do que para um bem social, j\u00e1 que beneficia uns poucos em detrimento da maioria?&quot;. <\/p>\n<p>Se a Cipla \u00e9 um mal, ent\u00e3o, deve ser extirpado. E pelo terror armado. Nada mais claro. <\/p>\n<p>E para isso o juiz preparou a conspira\u00e7\u00e3o judicial\/policial em segredo, desde 21 de maio, data em que assinou a &quot;Decis\u00e3o Judicial&quot;. E durante 10 dias organizou e reuniu tropas federais para conseguir realizar a &quot;opera\u00e7\u00e3o&quot;. E o juiz faz tudo isso assumindo hipocritamente todas as cal\u00fanias do gangster pol\u00edtico conhecido como presidente do sindicato dos pl\u00e1sticos sendo que estas cal\u00fanias j\u00e1 foram recha\u00e7adas na justi\u00e7a e o pelego sofre atualmente mais de 10 processos nossos por cal\u00fania e difama\u00e7\u00e3o. O juiz baseia sua decis\u00e3o em cal\u00fanias e difama\u00e7\u00f5es absurdas para justificar sua posi\u00e7\u00e3o real: defesa dos patr\u00f5es e o objetivo de fechar as f\u00e1bricas ocupadas. <\/p>\n<p>Por isto, estamos, al\u00e9m da mobiliza\u00e7\u00e3o e da campanha nacional e internacional, tomando todas as medidas judiciais exigindo a imediata revoga\u00e7\u00e3o da interven\u00e7\u00e3o na Cipla, a reintegra\u00e7\u00e3o da dire\u00e7\u00e3o da f\u00e1brica eleita pelos trabalhadores. <\/p>\n<p>Estamos, tamb\u00e9m, e fundamentalmente pedindo ao presidente Lula, ao Ministro Luis Marinho, da Previd\u00eancia, que determine a retirada imediata do pedido de interven\u00e7\u00e3o feito pelo INSS. <\/p>\n<p>Esperamos assim, abrir uma nova etapa de negocia\u00e7\u00e3o para restabelecer propostas e acordos, n\u00e3o s\u00f3 com o INSS, mas com os demais credores, tendo o Estado a obriga\u00e7\u00e3o de assumir sua parcela de responsabilidade em todos os aspectos. <\/p>\n<p>N\u00e3o tenham d\u00favidas de que levarmos a resist\u00eancia e a luta at\u00e9 o final de nossas for\u00e7as. Trata-se da classe trabalhadora e de seu direito inalien\u00e1vel de lutar por emprego e vida digna. Nossa concep\u00e7\u00e3o \u00e9 socialista e os socialistas n\u00e3o tem o direito de abandonar o combate para arrancar a classe trabalhadora deste mundo de opress\u00e3o e explora\u00e7\u00e3o. <\/p>\n<p>Viva a luta a classe trabalhadora no Brasil e no mundo inteiro! <\/p>\n<p>Viva a luta das F\u00e1bricas Ocupadas por um futuro para a humanidade! <\/p>\n<p>Joinville, 5 de junho de 2007 <\/p>\n<p>sergegoulart@terra.com.brThis e-mail address is being protected from spam bots, you need JavaScript enabled to view it <\/p>\n<p>Telefone: 00 55 47 99 63 30 15 <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Dia 31 de maio, \u00e0s 07:00hs da manh\u00e3, 150 policiais dais armados a\u00e9 os dentes invadiram a Cipla, f\u00e1brica controlada pelos trabalhadores e &quot;empossaram&quot; um interventor nomeado por um juiz federal com base em um pedido feito pelo INSS (Minist\u00e9rio da Previd\u00eancia Social). 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